Eleições 2018: 10 lições de marketing político para aplicar na sua estratégia digital

08/10/2018

Tempo de leitura: 6 minutos

No marketing político da era digital, é como se todos os candidatos estivessem começando do zero. Aprenda com as principais campanhas à presidência das eleições 2018!

Originalmente, o objetivo do marketing político é criar uma base eleitoral grande o suficiente para levar um candidato à vitória. Para isso, as campanhas eleitorais lançam mão de estratégias publicitárias agressivas. Com 13 candidatos à presidência — número recorde desde 1989 —, as eleições de 2018 nos trouxeram muitos aprendizados.

Como é possível, por exemplo, que Daciolo tenha feito, com R$ 808, mais votos do que Meirelles, que investiu R$ 53 milhões? Na era digital, o marketing político tem dessas coisas. Perder, neste caso, não necessariamente é sinônimo de derrota.

Por isso, reunimos 10 lições boas e ruins dos principais presidenciáveis brasileiros. Gostando ou não do jogo político, elas podem ser úteis para as estratégias digitais do seu negócio. Confira!

1. Bolsonaro e o ataque à concorrência

Não há como negar que uma das maiores armas de marketing político da campanha de Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), é a impopularidade do seu principal concorrente, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Nas situações em que duas marcas competem por um mesmo público, identificar a fraqueza do seu concorrente e usá-la a seu favor pode guiar seu posicionamento. É o caso do Burger King em suas memoráveis campanhas provocando o McDonald’s.

2. Haddad e a segmentação do público

Apesar da desvantagem na corrida eleitoral, Fernando Haddad dialoga com as minorias, seguindo a tendência do seu partido. Na campanha do petista, mulheres, negros, LGBTQIs e diversos outros públicos culturalmente marginalizados são protagonistas.

Da mesma forma, não há como pensar em estratégias eficientes de marketing digital sem pensar em ultrassegmentação. A partir de agora, no entanto, suas campanhas deverão ser justificadas para atender aos critérios da Lei Geral de Proteção de Dados.

3. Ciro e o discurso persuasivo

As eleições de 2018 mostraram que aquela figura do político que domina e convence o eleitor pela oratória está se tornando rara. Os debates — frios e lineares — são um exemplo disso. Neste cenário, Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), se destacou.

Em seu marketing político, o discurso do candidato faz alusão a diversas técnicas de vendas. Quando usou o nome sujo como argumento, Ciro ativou o gatilho mental da dor, chamando a atenção dos 63,4 milhões de brasileiros endividados.

Eleições 2018: 10 lições de marketing político para aplicar na sua estratégia digital

4. Alckmin e as parcerias de negócio

A extensa campanha de Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) só foi possível devido à aliança com outros oito partidos. O estreitamento com legendas como DEM, PP e PRB garantiram quase metade do tempo da propaganda de rádio e TV.

No caso de Alckmin, a estratégia não rendeu como esperado, mas no marketing digital, os sistemas de parceria são excelentes para quem está começando. Para isso, invista no networking e no comarketing para ampliar o espaço da sua marca e gerar leads.

5. Amoêdo e liberdade financeira

Outro político que usou um excelente argumento para angariar votos foi João Amoêdo, do Partido Novo (NOVO). O candidato chamou a atenção pela defesa da economia liberal, com a diminuição de impostos, da burocracia e das dificuldades ao abrir uma empresa.

Mesmo estreante, Amoêdo chegou ao 5º lugar da corrida presidencial, com 2,6 milhões de votos. Foi com um discurso semelhante que a Conta Azul, por exemplo, se tornou uma das maiores startups brasileiras no mercado de sistemas financeiros.

6. Daciolo e a coerência nas ações

E as histórias bíblicas de Daciolo? Com suas intervenções excêntricas em pleno debate eleitoral, Cabo Daciolo, do Patriota (PATRI), se tornou o arquétipo da comunidade religiosa na teoria e na prática, ganhando repercussão nas redes sociais.

Essa é a grande característica de um bom storytelling. É essencial que as histórias explorem e representem valores já praticados pela sua empresa ou agência. Para isso, sua marca deve apostar em um meio termo entre ficção e realidade.

7. Meirelles e a transformação digital

Henrique Meirelles, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), é conhecido por suas passagens pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. Mas sua situação prova que experiência e fama não são garantia de sucesso na velocidade da era digital.

Apesar de seu currículo, Meirelles foi superado por Daciolo, numa situação parecida com o Google. Mesmo gigante, o buscador assumiu o fracasso de sua rede social depois de anos tentando engajar usuários na tentativa de barrar o avanço do Facebook.

8. Marina e o respeito ao meio ambiente

A campanha de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade (REDE), reúne várias das lições de marketing político que estamos descrevendo. Assim como Meirelles, seus 22 milhões de votos em 2014 se transformaram em pouco mais de 1 milhão em 2018.

Por outro lado, Marina sempre foi a favor de uma economia sustentável. Se você quiser criar uma proposta de valor nesse sentido, inspire-se na Natura, uma das empresas mais sustentáveis do mundo. Ou seja: sua preocupação com o meio ambiente deve ser genuína.

9. Alvaro e a gestão de tempo

O tempo é precioso para qualquer um, mas no marketing político, a habilidade em obedecê-lo também é sinônimo de profissionalismo e credibilidade. Não foi o que mostrou Alvaro Dias, do Podemos (PODE), com sua participação desastrosa nos debates eleitorais.

O candidato teve sua desatenção exposta por Willian Bonner e Fernando Haddad, na Globo. Para profissionais de agências e empresas, a gestão do tempo é fundamental no planejamento de projetos e no comprometimento com prazos.

10. Boulos e a ousadia criativa

Quem disse que a propaganda eleitoral deve ser chata e monótona? Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), brincou com a sonoridade do sobrenome para apresentar seu plano de governo de forma cômica: 50 Receitas de Boulos para mudar o Brasil.

A estratégia mostra que, mesmo em um ambiente improvável, é possível usar a criatividade para se destacar entre a concorrência. Experimente se apropriar naturalmente de memes, GIFs e outras linguagens próprias da internet — inclusive se o seu mercado é o B2B. Só não force a barra!

Eleições 2018: 10 lições de marketing político para aplicar na sua estratégia digital

Como você pôde perceber, a maiorias das nossas lições de marketing político exigem que sua agência ou empresa encare cada nova estratégia como a primeira. Mais do que isso, é preciso entender que o digital mudou as regras, o que obriga sua marca a entender o contexto do momento e as necessidades da sua persona.

Ainda se sente atrasado na corrida digital? Não espere até 2022 para pleitear um cargo no coração do seu público! Conheça agora mesmo os 9 passos para a transformação digital!


*O Clint Hub se isenta de qualquer tipo de favorecimento ou posição político-partidária. Portanto, a sequência de tópicos deste artigo foi baseada nos resultados do primeiro turno das eleições 2018. Além disso, seu conteúdo é meramente educativo e ilustrativo, não refletindo necessariamente os motivos que levaram o candidato à vitória ou à derrota.

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